Sobre Mulheres

As mulheres sempre mandaram no mundo. De Cleópatra a Helena de Tróia, passando por Maria Antonieta e Mata Hari elas sempre fizeram a história e a cabeça dos homens. Começaram a perder terreno quando foram pras ruas queimar sutiãs e anunciar esse mando. O que antes era feito de maneira discreta e até carinhosa passou a ser feito na marra causando um frisson nos machos que resolveram também ocupar seu espaço.
As mulheres são tão estranhas que escolheram para celebrar seu dia não uma data auspiciosa, como o envio da primeira mulher ao espaço, a russa Valentina, mas um dia em que dezenas de mulheres foram queimadas numa fábrica. Ou seja, elas não comemoram quando foram aos céus, mas quando desceram ao inferno.
As mulheres são absolutamente necessárias, primeiro para conservação da espécie, pois homens ainda não engravidam e assim cabe a elas manter o mundo povoado e ocupado. Por isso, elas contam com tantas regalias, como lugar no ônibus, portas abertas e até mesmo uma delegacia especal quando os maridos ou amantes ultrapassam as fronteiras do cavalheirismo e caem na baixaria.
Mas, elas querem mais, sempre mais. jogam futebol, lutam boxe e judô e qualquer dia desses vão reivindicar o xixi em pé, a última barreira do machismo, o último bastião dos homens. Em dias como hoje elas se reúnem, maldizem maridos e companheiros, ameaçam o mundo e depois vão pra casa criarem os filhos machistas - que os meninos delas são diferentes. E assim vai rodando o mundo, com mulheres e homens, uma salutar diferença que, com certeza, vai continuar por muitos anos.

MARCOS TAVARES - Coluna Pão e circo/Jornal da Paraíba

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